Album Review: Sam Smith derrama toda a sua melancolia em “The Thrill Of It All”

Se a três anos atrás Sam Smith chorava todas as suas pitangas através do “In The Lonely Hour” por uma decepção amorosa, em “The Thrill Of It All” observamos o amadurecimento de um homem já familiarizado com o coração partido, e que agora está aberto a falar sobre relações mais complicadas, o alcoolismo, religiosidade, inclusive sobre a sua sexualidade com franqueza, como não fez no primeiro disco. Dê play no final do post e continue lendo!

Produção de Jimmy Napes e Steve Fitzmaurice (seus principais colaboradores desde o início da carreira), “The Thrill Of It All”, é um álbum melancólico e romântico, que mostra perfeitamente a transição de um jovem vulnerável do In The Lonely Hour para um homem que obteve maturidade com as experiências vivenciadas – “Eu sei que você está pensando que eu sou frio; eu estou apenas protegendo minha inocência”, desabafa em “Too Good At Goodbyes”.

O cantor basicamente abre seu coração quase que acapela na maior parte do álbum, e, faz-nos imaginarmos dentro de uma igreja a cada uma das 14 faixas entoadas pela orquestra que o acompanha, como em “Pray”, uma sincera conversa com Deus sobre a sua ligação com a religião – a música é uma parceria com o produtor Timbaland.

Dessa vez Sam resolveu sair um pouco de sua zona de conforto trabalhando com o James Ryan Ho (Malay), que atualmente produziu para o Frank Ocean trazendo um estilo de hip-hop mais suave e no pop alternativo da cantora Lorde, podemos perceber as referências em “Say It First”.

Outra parceria que casou muito bem com uma mudança na vibe do cantor deixando o álbum menos previsível, foi com a banda de funk/soul Dap-Kings que emprestou seus instrumentais de sopros dando vida a faixas mais agitadas, como a “One Last Song” que tem uma cara de anos 60, “Midnight Train” e “Baby, You Make Me Crazy”, a música que na primeira vez ouvida você já decora o refrão e quer sair cantando no meio da rua.

De longe, “Burning” é a letra mais pessoal do disco e contém um instrumental único e grandioso. Já em “HIM”, Smith nos conta a história de um garoto que deseja assumir-se sexualmente ao seu pai e o mesmo tenta deixá-lo dividido entre sua orientação sexual e a religião – “Não tente me dizer que Deus não se importa com nós; é ele que eu amo”, canta seguido de um piano e o coro.

Em “No Peace” dueto com Yebba Smith, os dois disputam vocais e arranjos que dão uma presença belíssima a música, mas que infelizmente não chega a ser tão explosiva. Na faixa “Palace”, Sam aposta numa balada melódica e tradicional – “Ás vezes eu queria que nunca tivéssemos construído esse palácio; mas amor verdadeiro nunca é uma perda de tempo”, o cantor revela.

“Nothing Left For You” é a “I’ve Told You Now” dessa era, com um vocal sussurrado nos primeiros versos e a entrada do coro dando ênfase ao refrão, deixa clara a dor depositada nessa letra. Um ponto alto é a faixa que leva o título do álbum, “The Thrill Of It All”, destaque em cordas friccionadas, além do piano usado muitas vezes e o uso constante de falsetes no refrão, entregando sua devida sutileza como a “Scars”, um depoimento de Sam a seus pais que atualmente são divorciados.

Fechando o álbum com “One Day At A Time”, que fala sobre se desconectar do mundo caótico em que vivemos para poder se conectar somente a uma pessoa de uma forma simples e natural, observamos o lado completamente romântico do cantor.

É esse tipo de sonoridade que podemos esperar durante a carreira de Sam Smith, sem grandes mudanças no estilo musical, e sem comprometimento de nos entregar um disco para revolucionar a história da música pop, mas sempre colocando em primeiro plano sua voz, construída para emocionar.

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Crítica inteiramente escrita por Lucas Kaique.

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